Passo a Passo

Usualmente, quando referimos a adoção de uma prática benéfica para acalmar nossa atividade mental e harmonizar nossas emoções, ocorre a tentativa de colocar essa proposta em um modelo que atua na contramão do processo. Dizendo de forma simplificada, considero que as práticas meditativas baseiam-se em um princípio de não-fazer. Ouso dizer que somente pela moderação de nossos ritmos começamos de fato a preparar o terreno para desfrutar da arte de meditar.

Uma vez que a cultura vigente oferece e até impõe uma dose exagerada de estímulos, principalmente informacionais, passa a representar um desafio considerável diminuir nossos ritmos, e muito mais fazer uma pausa autêntica am nossos vários níveis de atividade. Em outras palavras, gradualmente superar a tendência de saber de tudo, sobre tudo, o tempo todo.

Na minha experiência, um bom ponto de partida é atuar a partir do corpo. Na realidade inescapável e solitária de nossas sensações corporais, geralmente verificamos de forma incontestável o resultado de nosso estilo de vida. Seja qual for a postura corporal que adotarmos para repousar no silêncio, fica evidente que necessitamos passar pela fase de relaxar o corpo, mantendo a atenção no momento presente. “Como assim, relaxar mantendo a atenção?” ouço muitas vezes como comentário a essa possibilidade. Minha resposta é que devemos iniciar por aceitar que é possível, cada pessoa a seu tempo.

Então, ultrapassar o estágio de acreditar em modelos padronizados e dar um passo a mais, ao cultivar a confiança em pessoas experientes que manifestem coerência com o que pretendem compartilhar, isto é, percebo que me é muito fácil tecer discursos elaborados sobre uma mente pacífica, emoções equilibradas e corpo relaxado e atento. Daí a manifestar de fato esses aspectos no convívio com os seres que de mim se aproximam é um longo caminho. E esse é, na minha opinião, um dos encantos da simples e sofisticada arte de meditar: cada passo é sempre o primeiro passo. A cada prática, a realidade é outra, em mim e no mundo que costumo chamar de “exterior”. Então, sempre é um recomeço, vívido, interessante, aventuroso.

Se me pedirem para usar uma imagem prática, diria que tudo começa e termina na respiração. Esta é a única função fisiológica que conseguimos controlar sem treinamentos especializados, e, ainda assim, provavelmente a forma mais eficaz de regular nossos ritmos corporais, emocionais e mentais, que diferenciamos apenas com objetivos didáticos. Mas aqui já temos outro tema. Aspiro que nos encontremos de novo em breve.

Cuide-se bem e aprecie sua vida humana preciosa.

Jorge Koho Mello
Zurich, Nov/2023

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