Esse é um questionamento frequente. Sinto que o mais importante é reposicionar a pergunta: “…como posso ver as crises de outro modo?”
A partir de um olhar que considera as crises como parte natural da existência, podemos levar o foco de nossas ações para o próprio processo, e cultivar o desapego aos resultados. Usualmente, o resultado é considerado como o aspecto mais importante de tudo que fazemos. Dessa forma, perdemos a riqueza do momento presente, no qual praticamos a arte de fazer o que é necessário para deixar acontecer o que é melhor para o sistema como um todo. Essa atitude requer abrir mão da tendência ao controle, e rever a imagem de primazia da importância individual. Nessa atitude, cada ação individual é apenas mais um fator na complexidade que contribui para que os fatos sigam a ordem natural.
O ritmo é outro aspecto importante em um fluxo harmônico das nossas ações. Para otimizar a eficiência, é importante moderar o ritmo. Ao seguir a referência natural de fazer pausas proporcionais a cada etapa de ação, é possível manter o interesse e a disposição renovada a cada ciclo.
Em tempos de crises sistêmicas generalizadas, torna-se ainda mais importante cultivar essa lucidez de manter o equilíbrio entre ação e repouso, em todos os níveis. Se conseguimos manter o foco na prática consciente, com presença no processo do fazer, os resultados possíveis ocorrem de modo natural. Ao mesmo tempo que nos movemos conscientes de nossas limitações em termos de escala, percebemos o equívoco da inação pela ilusão da impotência e o desgaste inútil da romantização da onipotência. Entre os extremos do nada fazer e o querer fazer tudo, reside a capacidade de realizarmos o necessário e possível no exato momento em que vivemos.